Exuberância e consciência
Neste Domingo de Ramos podemos voltar a pensar na relação difícil que existe entre exuberância e consciência. Por um lado, sentimos o apelo da apoteose numa cena que, para todos os efeitos, ao aclamar Cristo entrando em Jerusalém, antecipa aquilo que será uma condição cósmica futura. Os excessos do Domingo de Ramos, nesta medida, não são tão excessivos assim e servem de aperitivo para quem espera pela segunda vinda de Jesus.
Por outro lado, e tendo em conta que muito provavelmente muitos dos que na altura participaram do acolhimento desta entrada triunfal terão participado também da rejeição do Mestre durante o seu posterior julgamento, pedindo pela libertação de Barrabás no lugar dele, há quem desconfie de tanta exteriorização. Portanto, há uma ambivalência histórica em dois milénios de cristianismo quanto ao Domingo de Ramos: pode cair-se no extremo de sobrevalorizar a festa, e pode cair-se no extremo de sobrevalorizar-se........
