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A dívida de sono não tira férias

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11.08.2026

“Acordas cedo para ir ao ginásio nas férias? Que disparate!” A frase de espanto de uma amiga deixou-me a pensar. Afinal, as férias servem para descansar ou para deixar de cuidar de nós?

Não me interpretem mal: eu gosto de descansar. Sou, aliás, adepta da expressão brasileira “fazer coisa nenhuma”, muito mais animadora do que o clássico português “não fazer nada”. Mas honestamente não percebo quando é que esta ideia de estar de férias passou a significar perder todas as regras e rotinas diárias.

A minha amiga não estava a falar apenas do ginásio. Estava a expressar uma ideia muito enraizada hoje em dia: parece que cuidar de nós passou a justificar o abandono de todas as rotinas. Curiosamente, é exatamente isso que vejo acontecer tantas vezes com o sono. Dormimos como quem vai acumulando pequenas prestações em atraso durante todo o ano e esperamos liquidar a conta em agosto.

Na prática clínica encontro estas duas situações com frequência. Se por um lado há quem assuma que “precisa das férias para pôr o sono em dia”, também há quem defenda que “as férias servem para não termos restrições e para fazer o que bem nos apetecer”. E por isso, em que é que ficamos? É boa ideia recuperar o sono perdido ao longo do ano durante as férias, ou é melhor manter a rotina?

Quando dormimos pouco durante meses, acumulamos cansaço e podem surgir outras queixas diurnas. Depois chegam finalmente as férias e acreditamos que algumas manhãs a dormir até mais tarde são suficientes para “pagar a dívida”. Todos conhecemos alguém que chega às férias convencido........

© Observador