O primeiro presidente do século XXI
Primeiro, estranha-se, depois, entranha-se. Fernando Pessoa terá inventado a frase para promover uma bebida importada. Podia tê-la inventado para descrever a recepção, nos meios bem-pensantes, às declarações e decisões do presidente Trump. Primeiro, temos sempre indignações de bancada de futebol, com alguns desfalecimentos de teatro antigo. Ele quer tirar a Gronelândia à Dinamarca! Ele ameaçou o México com direitos alfandegários! Ah, a loucura. Depois, percebemos que a Dinamarca não está capaz de controlar a Gronelândia, ou vemos que o México, intimidado, se dispôs enfim a colaborar na contenção do tráfico de pessoas e drogas. E eis o que tinha sido acolhido como um capricho de Nero a ser reavaliado como o rasgo de um Bismarck.
Trump não mudou o mundo. Está apenas a tentar adequar o poder dos EUA a um mundo que já mudou há algum tempo. O problema não é, como os anti-trumpistas gostariam de acreditar, um homem: é, se quiserem........
© Observador
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