Paralisados ou polarizados?
Diante da realidade saturada de perplexidade e confusão, como podemos manter-nos informados e críticos, mas não ansiosos e assustados?
Debato-me diariamente com esta pergunta inquietante e julgo saber a resposta. Mas a própria resposta, aparentemente simples e tranquilizante, dá trabalho a concretizar, ao contrário do que ressoa.
Por cima do pórtico do inferno mais famoso da literatura, o de Dante Alighieri, lê-se “Deixai toda a esperança, vós que entrais” (Divina Comédia, canto III). Perante o pasmo do florentino com estas duras palavras, Virgílio, o seu guia, diz-lhe para nada temer, pois a sua alma ainda não perdera o livre-arbítrio. Aquele era, como lhe explica mais adiante, o “destino daquelas almas que não procuraram fazer o bem, mas também não buscaram fazer o mal.”
É por isso que, por mais simplicidade e tranquilidade que a palavra Esperança nos possa trazer, ela envolve muito trabalho e dedicação.
Às portas da geena, Virgílio define a Esperança como ação, apresentando a Dante os seus habitantes como aqueles que nela viram apenas resignação.
O pedagogo........
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