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Contas, todos nós temos

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02.04.2026

Há momentos na vida de um país em que a retórica deixa de ser suficiente, em que a celebração de indicadores macroeconómicos, por mais relevantes que sejam, se torna vazia quando confrontada com a realidade concreta das famílias e das empresas, Portugal vive hoje um desses momentos.

A inflação voltou a ganhar tração, impulsionada por choques externos que não controlamos, nomeadamente a instabilidade geopolítica no Médio Oriente e a escalada de tensões envolvendo o Irão. O impacto nos preços da energia e, por arrasto, nos bens essenciais, é evidente. Menos evidente, mas profundamente mais grave, é a resposta do Governo português: uma mistura de inércia, autocomplacência e cálculo político.

O Executivo orgulha-se, com razão, da trajetória das contas públicas. O défice controlado, a redução da dívida e o reconhecimento internacional são conquistas importantes, mas fica a questão: para quê? Para quem? A solidez das finanças públicas não é, nem pode ser, um fim em si mesmo. Apesar de ser um instrumento........

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