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Sabedoria em tempos de IA

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12.05.2026

Há pelo menos vinte e cinco séculos que a filosofia ocidental se interroga sobre o que seja a sabedoria, e o mais curioso é que as respostas mais fecundas raramente a descrevem como um armazém de conhecimentos ou um catálogo de verdades finais. Sócrates considerou a sua forma mais elevada a consciência de que nada sabia, uma confissão de ignorância que, longe de ser modéstia retórica, era o ponto de partida de toda a investigação séria. Aristóteles cunhou o termo phronesis, sabedoria prática, para distinguir a capacidade de julgar bem em situações concretas, sob pressão, quando a informação é incompleta e os valores em jogo entram em conflito. Kant falava-nos do uso prático da razão. As tradições chinesas, com Confúcio, o taoísmo e os textos clássicos, associam a sabedoria ao sentido da proporção, à atenção ao contexto, à suspeita perante o conhecimento rígido e à coerência entre meios e fins. Nenhuma destas vias trata a sabedoria como um stock de conhecimento. Todas a descrevem como uma disposição, uma maneira de estar no mundo, sobretudo quando o mundo resiste a ser arrumado.

Podemos condensar o fio comum em três traços. Desde logo, uma humildade epistémica, ou seja, a consciência de que aquilo que julgamos saber pode ser........

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