Até sempre, meu pai
Faz por estes dias um mês que o nosso pai nos deixou.
Os jornais, as redes sociais e as universidades já deram a notícia da morte do Historiador: aluno do primeiro curso de licenciatura em História da Faculdade de Letras do Porto, professor desde 1969, na Universidade de Navarra entre 1975 e 1981, catedrático aos trinta e oito anos, professor na John Hopkins, na Brown, em várias universidades italianas, francesas, no Brasil, entre tantos outros centros que mais vezes do que gostaríamos o levaram para longe de nós, vice-reitor da Universidade Lusíada no Porto, fundador e presidente do Instituto Camões entre 1992 e 1995, coordenador-adjunto da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, académico de número da Academia Portuguesa da História, membro emérito da Academia de Marinha. Tudo isso e tanto que fica por dizer permanecerá nos arquivos institucionais.
Para alguns dos que lhe éramos mais próximos, o meu pai, era muito mais do que um homem da História, era sobretudo um homem de histórias. Não me confundam: ele via a História e a Academia com uma ortodoxia quase religiosa; mas sempre o vi querer, também, torná-las acessíveis e lúdicas para todos. Sempre aberto ao encontro com os Outros. Sempre pronto para uma boa história.
Foi, acima de tudo, um homem de sonhos, muitos realizados, outros por cumprir.
Viveu a vida adulta num tempo incomum, de grandes realizações. A Europália em 1991, as Expos de Sevilha em 1992 e de Lisboa em 98, e tantas outras iniciativas em que Portugal mostrou, como ninguém, ao mundo, a sua História e o seu património. Coube-lhe estar no centro dessa geração que........
