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O futebol-desporto e a FIFA multinacional

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24.07.2026

Durante anos repetiu-se a ideia de que o futebol estava a perder a sua identidade.  Que os espetáculos antes dos jogos, as “fan zones”, as experiências VIP, as  ativações comerciais, os concertos ou a crescente influência norte-americana  descaracterizavam um dos maiores patrimónios culturais do planeta.

O Campeonato do Mundo de 2026 demonstrou precisamente o contrário. O futebol não está a perder identidade. Está a encontrar um modelo económico capaz de a financiar. Esta é provavelmente a maior mudança estrutural da indústria do futebol desde a  criação da Liga dos Campeões.

Enquanto a maioria continua a discutir sistemas táticos, formatos competitivos ou  arbitragens, a FIFA mudou silenciosamente de paradigma: deixou de organizar uma  competição desportiva para gerir uma plataforma global de entretenimento,  tecnologia, turismo, dados e consumo.

A bola continua a ser o centro do espetáculo.

Mas deixou de ser o centro do negócio.

E essa diferença vale milhares de milhões.

Os números ajudam a perceber a dimensão da transformação. No ciclo comercial  de 2023-2026, a FIFA estima receitas superiores a 13 mil milhões de dólares,  praticamente o dobro do ciclo anterior. O alargamento do Mundial para 48 seleções  e 104 jogos significou um aumento de cerca de 63% do inventário comercial disponível: mais bilhetes, mais hospitalidade, mais publicidade, mais patrocínios,  mais conteúdos digitais, mais experiências premium e mais oportunidades de  monetização.

Muitos olharam para esta decisão apenas pela perspetiva desportiva.

A FIFA olhou para ela como qualquer empresa multinacional olharia para um  investimento estratégico: aumentar capacidade instalada, diversificar fontes de  receita e reduzir a dependência de um único produto. É exatamente isso que qualquer Conselho de........

© Observador