O futebol-desporto e a FIFA multinacional
Durante anos repetiu-se a ideia de que o futebol estava a perder a sua identidade. Que os espetáculos antes dos jogos, as “fan zones”, as experiências VIP, as ativações comerciais, os concertos ou a crescente influência norte-americana descaracterizavam um dos maiores patrimónios culturais do planeta.
O Campeonato do Mundo de 2026 demonstrou precisamente o contrário. O futebol não está a perder identidade. Está a encontrar um modelo económico capaz de a financiar. Esta é provavelmente a maior mudança estrutural da indústria do futebol desde a criação da Liga dos Campeões.
Enquanto a maioria continua a discutir sistemas táticos, formatos competitivos ou arbitragens, a FIFA mudou silenciosamente de paradigma: deixou de organizar uma competição desportiva para gerir uma plataforma global de entretenimento, tecnologia, turismo, dados e consumo.
A bola continua a ser o centro do espetáculo.
Mas deixou de ser o centro do negócio.
E essa diferença vale milhares de milhões.
Os números ajudam a perceber a dimensão da transformação. No ciclo comercial de 2023-2026, a FIFA estima receitas superiores a 13 mil milhões de dólares, praticamente o dobro do ciclo anterior. O alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos significou um aumento de cerca de 63% do inventário comercial disponível: mais bilhetes, mais hospitalidade, mais publicidade, mais patrocínios, mais conteúdos digitais, mais experiências premium e mais oportunidades de monetização.
Muitos olharam para esta decisão apenas pela perspetiva desportiva.
A FIFA olhou para ela como qualquer empresa multinacional olharia para um investimento estratégico: aumentar capacidade instalada, diversificar fontes de receita e reduzir a dependência de um único produto. É exatamente isso que qualquer Conselho de........
