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"Dia de la Raza"

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15.10.2025

“Hoje, festa da Raça, também eu, peregrino português, venho tomar assento à lareira carinhosa de Castela. Não devemos nós compreender a Raça como um estrito conceito de ordem étnica, porque seria um imperdoável erro e, além disso, um motivo de exclusão de Portugal”. As palavras são do saudoso e injustamente esquecido António Sardinha e é com elas que abre o seminal livro À Lareira de Castela.

O chamado Dia de la Raza, posteriormente rebaptizado nos vários países hispânicos de modo a não ferir susceptibilidades, é o dia em que não só a Espanha, senão toda a hispanidade comemora a chegada de Colombo à América. Como se sabe, houve e há por aí historiadores de polpa que pugnam pela origem portuguesa do descobridor. E, embora os diferentes argumentos apresentados estejam bem escorados e alguns sejam inteiramente plausíveis, tão melindrosa matéria mereceria outro artigo mais circunstanciado e não uma mera passagem à guisa de obiter dictum. Para hoje, pelo contrário, importa sobretudo resgatar essa maravilhosa lição de lusitanismo e de peninsularismo dada por António Sardinha.

Aí escreveu o admirável poeta e teórico do Integralismo Lusitano, justamente num artigo intitulado “A Festa da Raça”, que “na festa da civilização hispânica (…) têm também lugar Portugal e o Brasil. Sentemo-nos então no espaço anfiteatro em que tantos povos unidos pelo mais apertado parentesco se agrupam para comemorar a alta e gloriosa origem de que derivam”. Acrescenta pouco depois, referindo-se ao estranho laço que une portugueses e castelhanos, que “Liga-nos aquela unidade substancial”, na frase de D. Rafael Altamira, que, respeitando e consagrando as diferenças eternas em que reciprocamente se exprimem duas soberanias políticas indiscutíveis, nos está convocando do fundo da História para a defesa e para o prestígio dum incomparável património de cultura e ideal, que só na Península encontrou o seu berço”.

Evidentemente, os exemplos mais patentes desta unidade substancial são, por um lado, a empresa dos Descobrimentos, e, por outro, a vocação apostólica e missionária dos dois povos. Porque, se ambos deram mundos ao mundo, através do sucessivo e inquebrantável........

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