Os preenchedores de conteúdo
Há vários anos fiz um curso breve de media training na CENJOR. Um dos formadores era jornalista de televisão. Com um misto de ingenuidade e curiosidade, não resisti a colocar a seguinte questão: “Por que razão convidavam para a televisão alguns psiquiatras para falar sobre assuntos em que não eram os melhores especialistas ao nível nacional?” A resposta foi simples e esclarecedora: “Se ele é psiquiatra e fala bem perante as câmaras, para mim é suficiente. O resto não me interessa muito, pois o que eu quero é que ele preencha o conteúdo informativo.”
Nunca mais me esqueci desta resposta. Talvez porque ela traduzisse, de forma quase brutal, uma verdade que muitos intuíam, mas poucos diziam: em televisão, nem sempre se procura quem sabe mais; muitas vezes procura-se quem está disponível, fala bem, não hesita e ocupa antena.
Com o avanço da internet, especialmente com a migração da publicidade para plataformas digitais, muitos órgãos de comunicação tradicionais (jornais, televisões e rádios) perderam receitas e foram obrigados a fechar ou a reduzir drasticamente as suas equipas. Milhares de jornalistas experientes em todo o mundo perderam o emprego. O novo jornalismo trouxe instabilidade, salários mais........
