A UE entre o desprezo, a rejeição e uma reinvenção
Desprezada pelos Estados Unidos, rejeitada pela Rússia e com uma China que deseja vê-la enfraquecida, a Europa encontra-se numa encruzilhada. É certo que ainda é um gigante económico, mas perdido no labirinto das suas próprias contradições, dos impasses sucessivos, dos inevitáveis compromissos entre a sua agenda global e os interesses específicos dos seus Estados-membros, o que tem contribuído para o seu menor peso geopolítico.
A brutalidade das novas dinâmicas de poder a surgir nos escombros da guerra na Ucrânia expuseram o que não era mais do que uma ilusão, a de que apenas o comércio e os valores democráticos bastariam para garantir estabilidade e… influência.
Ironia ou destino, Europa era o nome de uma princesa da mitologia grega, raptada e violentada por Zeus. Uma alegoria trágica num continente onde a violência marcou toda a História, foi mesmo o palco principal de duas Guerras Mundiais.
A devastação e o horror atingiu o cume nesse segundo conflito, mas é nele que se funda o sonho europeu, um projeto de paz baseado na reconciliação e na partilha de soberania.
Se a construção desse projeto foi sempre........
© Observador
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