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Leitores e censores no Século das Luzes

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19.06.2026

O período do Iluminismo caracteriza-se pela índole profundamente assertiva dos pensadores que idealizaram os seus valores e procuraram, não raras vezes de forma radical, concretizá-los. Herdeira de uma modernidade que viu os paradigmas científicos e filosóficos serem superados pela evidência do díptico razão/experiência patenteado por figuras como Descartes ou Galileu, determinantes para a configuração matemática e geométrica da natureza, esta época significou, por um lado, a consolidação de transformações que se vinham operando desde o século XVII e, por outro, a afirmação de uma diferente mundividência que implicou uma reflexão sobre o passado à luz do ideário que se procurava garantir. Esta atitude resultou em leituras muitas vezes simplistas e oblíquas de uma tradição tida como obsoleta e inoperante. O debate entre antigos e modernos, reproduzido à saciedade nos textos setecentistas, resulta de uma necessidade de destrinça entre aquilo que se considerava ser absolutamente retrógrado e até obnubilante – representado na escolástica, levando mesmo à demonização simbólica da imensa atividade dos jesuítas –, e aquilo que era absolutamente imprescindível para a aquisição do verdadeiro conhecimento, representado em ideias-chaves como razão, utilidade e brevidade.

A dicotomia entre o “bom” e o “mau” marca o discurso setecentista e, no caso particular português, encontra mesmo destaque em obras de teor filosófico, como o Discurso sobre o bom e verdadeiro gosto na Filosofia (1766) de António Soares Barbosa, ou de timbre normativo, como os Estatutos da Universidade de Coimbra (1772) ou o Compêndio Histórico da Universidade de Coimbra que os antecedeu (1771). A retórica iluminista desenvolve-se em campos semânticos equivalentes e antitéticos – ao mesmo tempo que se identificam quase sinonimicamente os campos do “bom”, “verdadeiro”, “útil”, “luminoso”, “belo”, sob o signo da razão, opõem-se-lhes os do “mau”, “falso”, “inútil”, “obscuro”, “feio”, sob a marca da ignorância.

É esta conjuntura que vê emergir um projeto idealizado em 1756 por António Dinis Cruz e Silva, Manuel Nicolau Esteves Negrão e Teotónio Gomes de Carvalho, mas concretizado e instituído em 1757, com estatutos, organizados em capítulos e redigidos por Pedro Joaquim António Correia Garção, com a denominação Arcádia Lusitana. Integrada num contexto cultural que viu florescer e revigorar as academias na Europa, iniciado sobretudo a partir do século XVI, a Arcádia Lusitana tem como arquétipo a Accademia dell’Arcadia fundada em Roma em 1690. A relevância alcançada por algumas dessas agremiações foi tal que a pertença a estes grupos era por si só sinal de prestígio, sendo que o próprio D. João V foi aclamado árcade........

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