Abandono familiar: crime sem castigo?
No passado mês de Maio, uma mãe francesa e o seu parceiro abandonaram, perto de Alcácer do Sal, dois menores, de aproximadamente 3 e 5 anos. Providencialmente, as duas crianças foram encontradas por um bom samaritano, que teve a caridade de as levar consigo e de as entreter, até que as autoridades delas tomassem conta. Entretanto, os dois rapazes enjeitados já regressaram ao seu país, enquanto a sua progenitora e o acompanhante foram detidos “por exposição e abandono”, aguardando julgamento.
Os maus-tratos ou abusos que têm como vítimas crianças repugnam de forma muito especial – também nas prisões, onde não abunda a elevação moral – e é particularmente grave que um tal crime seja praticado pela mãe de tão pequenas vítimas. Mas, infelizmente, o contrário também acontece: filhos adultos que abandonam os pais, nomeadamente por ocasião das férias.
No final dos anos 80, havia quem deixasse um familiar nas urgências e depois sumisse, sem deixar rasto. Ante uma situação destas, um hospital da capital, quando dava alta a um doente desacompanhado, também se encarregava de que os bombeiros o levassem para casa, sem esperar que a família o fosse buscar. Ainda há quem tenha atitudes análogas, sobretudo no Verão e no Natal. Por isso, no Serviço Nacional de Saúde (SNS) há camas ocupadas por pessoas que já tiveram alta, mas que, por não terem para onde ir, não podem deixar a instituição.
Os internamentos indevidos estão em franco crescimento no nosso país. Se, em 2022, havia 1239 pessoas nessa situação; no ano seguinte já eram 1955; sendo, em 2024, 2164; em 2025, 2342; e, no presente ano, 2807. Ou seja, em apenas quatro anos, estes........
