Sustentabilidade sem produção é paisagem decorativa
A palavra «sustentabilidade» tornou-se omnipresente no discurso público. Aparece em estratégias nacionais, candidaturas a fundos, relatórios ambientais e campanhas institucionais. No entanto, quando descemos ao território, a distância entre o discurso e a realidade é evidente. Em muitos casos, sustentabilidade é tratada como sinónimo de conservação passiva. Protege-se afastando pessoas. Preserva-se retirando actividade. E o resultado é uma paisagem que parece intacta no papel, mas que, na prática, está em declínio.
Conservar não significa excluir actividade humana. Nunca significou. As paisagens que hoje valorizamos como «naturais» são, na maioria dos casos, paisagens moldadas por séculos de gestão humana contínua. Agricultura, pastorícia, maneio florestal e gestão da água criaram sistemas complexos, resilientes e produtivos. Quando essas actividades desapareceram, não ficou natureza intocada. Ficou abandono.
O abandono rural não é neutro do ponto de vista ecológico. Um território sem gestão acumula biomassa, perde diversidade funcional, degrada solos e torna-se mais vulnerável a incêndios, erosão e colapso hidrológico. A ausência de pessoas não devolve equilíbrio. Retira-o.
Apesar disso, continua a existir uma narrativa persistente que opõe produção e conservação, como se........
