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Quem tem medo de Passos Coelho?

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15.09.2026

Eu lamento muito que se levante sempre um coro de indignados quando que se tenta falar do passado, sobretudo num país onde há mais vacas sagradas do que na Índia, mas a nossa história colectiva não se conta sem regressarmos a 2015. É o ano a que nunca se quer voltar, naturalmente. Durante os últimos onze anos consolidou-se mediaticamente e na política portuguesa a ideia de que nada de extraordinário ali ocorreu, pelo que qualquer tentativa de balanço é imediatamente vista como um sacrilégio e uma afronta. A verdade é que 2015 é o ano que nos bate cada vez mais vezes à porta.

Quando António Costa, embalado por um incentivo explícito do Partido Comunista, resolveu quebrar todas as regras não escritas que formavam o consenso democrático e constitucional, os elogios foram-lhe todos dirigidos. Costa, um cínico amoral que oficializou o baixo nível do debate parlamentar, foi elevado à categoria de Príncipe Perfeito por aquilo a que, hoje, se chama bolha. Com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, viu estender-se-lhe um tapete vermelho sobre o qual podia cometer todas as patranhas, acenar todos os engodos, construir a sua própria narrativa. Com o Bloco de Esquerda e os comunistas às costas, pôde oferecer-lhes todas as vitórias revolucionárias possíveis, ao mesmo tempo que os secava eleitoralmente, acenando com a moderação das contas certas, um método contabilístico e orçamental que transformou em verdadeiro programa político e uma aldrabice que consistiu em negar tudo aquilo que prometera. Costa tinha no Syriza de Varoufakis e Tsipras o modelo a seguir, mas assim que........

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