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Quatro eixos para uma agenda de sustentabilidade nacional

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07.03.2026

Há momentos em que um país precisa de voltar a olhar para si próprio com honestidade e, ao mesmo tempo, com ambição.

A transição para uma nova Presidência da República é um desses momentos.

Não porque o Presidente tenha poderes executivos, mas sim porque pode orientar, convocar e sinalizar prioridades, ou seja, pode ajudar a transformar aquilo que o país discute todos os dias “ao megafone”, numa conversa mais elevada, mais consistente e mais estruturada.

Mais de meio século depois da revolução, Portugal chega a esta fase do ciclo económico e político com uma evidência difícil de contornar: a sustentabilidade deixou de ser um tema setorial (“do ambiente”, “da economia”, da “segurança social”, da “habitação”, “da educação” ou “da saúde”) e passou a ser uma arquitetura única.

Pessoas, planeta e sistemas sociais formam um todo interdependente. E num país marcado pelo envelhecimento acelerado, natalidade baixa, pressão sobre o SNS, inquietações sobre o modelo de ensino, tensão habitacional e dúvidas legítimas sobre a sustentabilidade de longo prazo do Estado Social, a questão já não é se devemos mudar mas sim, como mudar.

Uma agenda de futuro para o “como mudar” pode assentar em quatro eixos orientadores, simples de enunciar, mas exigentes de concretizar: interdependência global, longotermismo, equidade intergeracional e ponderação científica.

Interdependência global: o futuro já não cabe dentro das fronteiras

A ideia de interdependência global está intimamente ligada ao ambiente, mas não se esgota apenas aqui. Na realidade, a interdependência manifesta-se também na demografia, nas migrações, nos choques económicos, na circulação de doenças e na forma como todos estes fatores pressionam, por vezes de forma simultânea, a saúde pública, o ensino, a habitação e a proteção social.

Portugal sente isso de modo particularmente evidente. Não existe resposta nacional que funcione se ignorar que as cadeias de valor, os ciclos migratórios, as crises sanitárias e os impactos climáticos são, por natureza, transnacionais. A soberania do século XXI não se faz com isolamento, faz-se com capacidade de cooperação, com instituições resilientes e com uma diplomacia económica e social que perceba as ligações invisíveis entre decisões tomadas “lá fora” e efeitos sentidos “cá dentro”.

A Presidência pode ser útil nesta matéria, promovendo uma visão de Estado que leia o país como parte de uma rede maior e que mobilize consenso para políticas que, sendo nacionais, se orientem por objetivos europeus e globais porque os desafios já são, na prática,........

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