Alguém pode escrever um tricolon com anáfora ao Presidente?
O discurso de 10 de Junho de António José Seguro deixou muita boa gente desanimada, decepcionada e desiludida — e, sejamos sinceros, deixou muita outra gente a ressonar sonoramente. Não por causa daquilo que o Presidente disse, mas por causa da forma como disse. Mais uma vez, ficou provado que os nossos políticos acham que um discurso se insere na mesma família retórica de uma lista de compras de supermercado. Em Portugal, 99% dos discursos políticos são, como dizer?, chatos. Não podemos, por isso, argumentar que António José Seguro seja original nesse defeito (aliás, não podemos argumentar que António José Seguro seja original no que quer que seja).
Tudo isto é desolador porque um discurso pode ser entusiasmante, emocionante, mobilizador e, até, comovente. E a obrigação de um político é entusiasmar-nos com ideias, emocionar-nos com a nossa capacidade de fazer melhor, mobilizar-nos com desafios e, por vezes, comover-nos com aqueles momentos de partilha que transformam um grupo de pessoas num povo. Mas, para isso, é preciso perceber que escrever um discurso é como assentar tijolos: tanto uma coisa como a outra só serão eficazes se as pessoas souberem o que estão a fazer.
Há uns anos, Boris Johnson, que escreveu um livro sobre Winston Churchill,........
