Portugal e a "periferia"
Não houve lugar-comum mais resistente na academia portuguesa, e na política que a papagueava, do que dizer-se que o atraso económico português se devia à posição geográfica “periférica” do País. Livros, artigos, discursos recapitulavam incessantemente a mesma ladainha, combinando a resignação com confiança de quem tinha resolvido um mistério que a todos interessava. Não havia luminária que não desse um ar da sua graça com o enunciado de uma tese tão sofisticada, que reunia a alta esfera da meditação geopolítica com o conhecimento respeitável dos circuitos económicos.
A tese nunca teve pés nem cabeça. Se o atraso económico português era medido em relação à Europa Ocidental, talvez se pudesse dizer que a Inglaterra, a pátria consensual da “Revolução........
