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Jornalismo e activismos

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Muitas lágrimas foram choradas nos últimos anos por as redes sociais se terem substituído ao jornalismo. Por toda a parte as redes sociais são devolvidas à categoria de forças maléficas. Nalguns casos mais atrevidos são até denunciadas como causas exclusivas do que hoje se diz ser, com assomos de novidade histórica, a “crispação” ou a “polarização”, trazendo o grande Satã de volta sob a figura do maligno “algoritmo”. Quanto à novidade histórica da “polarização” ou da “crispação” não vale a pena perder dois segundos. Só pode afirmar uma coisa dessas quem possui a consciência histórica de uma pedra da calçada e passa tempo a mais nas redes sociais. Mas a rivalidade fingida entre o jornalismo e as redes sociais fez subir à superfície uns quantos equívocos. Nuns momentos, por ingenuidade; noutros, por má-fé.

O jornalismo é superior às redes sociais porque a estas falta, diz-se, uma superior mediação. Ora, a mediação, quando praticada segundo velhos padrões de racionalidade e objectividade, é um recurso precioso na compreensão da realidade e permite perceber como a apresentação pseudo-bruta dos “factos” insinua outras tantas ilusões e mentiras. Sucede que chegámos a um momento da nossa experiência democrática em que a traição à missão nobre da mediação jornalística autêntica excedeu tudo o que podia ser assimilado como ruído estatístico acidental ou simples e compreensível erro profissional.

Desde a tentativa de fundação de um regime de liberdades individuais no Ocidente que a imprensa desempenhou um papel insubstituível. Não é arriscado dizer que esse regime das liberdades não é sequer viável sem uma imprensa livre e plural.........

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