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SIDA sem medo

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15.01.2025

Em junho de 2021, nos 40 anos da notificação dos primeiros casos de uma rara pneumonia entre a comunidade gay de Los Angeles, a revista médica inglesa Lancet lamentava em editorial que, apesar de todos os avanços técnicos, a erradicação da SIDA continuasse a ser uma miragem. Este pessimismo da Lancet parece deslocado quando vemos que os números globais (número de pessoas infectadas, número de novas infecções ou número de mortes devidas à infecção) têm diminuído consistentemente ao longo dos anos.[1] A UNAIDS (o programa da ONU para a SIDA) fala mesmo em “resultados extraordinários”. Afinal em que ficamos?

O problema está nas assimetrias regionais. Na África sub-saariana, onde vivem quase dois terços de todos os infectados com HIV, houve uma redução de 57% nas novas infecções desde 2010, essencialmente através da redução da transmissão mãe-filho na gravidez e na primeira infância. Mas, na região da Ásia-Pacífico (que, sendo três vezes mais populosa do que África – quase 5 mil milhões de habitantes, contra 1,5 mil milhões – tem três vezes menos pessoas infectadas), o número de casos está a aumentar. A UE, apesar de todos os meios sanitários, diagnósticos e terapêuticos que possui e disponibiliza às suas populações, não tem conseguido reduzir a epidemia de forma significativa.[2] E os EUA são o país mais afectado no espaço do Atlântico Norte, com mais de trinta mil novas infecções em 2022.[3]

Olhemos para os números com mais atenção. Com excepção da África sub-saariana, onde as novas infecções se distribuem pela população geral e afectam sobretudo crianças e mulheres, nas sete restantes regiões definidas pela UNAIDS verifica-se que entre 60 e........

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