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A OMS vale a pena?

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28.01.2025

Trump entrou na Casa Branca e, nesse mesmo dia, assinou uma ordem executiva em que ordenava a saída dos EUA da OMS. É verdade que os americanos têm razões de queixa. Mas a solução não é bater com a porta. Três exemplos vão permitir-nos ilustrar o argumento.

No século XIV, sob o impacto dos movimentos migratórios e comerciais causados pelo império mongol de Genghis Khan, a peste chegou à Europa. Em apenas dois anos, a partir de 1346, seguindo as rotas das caravanas que da China se dirigiam para a Crimeia e descendo depois para os portos do Mediterrâneo, espalhou-se por todo o continente. A mortandade que se seguiu (um terço da população europeia) valeu-lhe o nome de Peste Negra, como ficou conhecida.

No século XIX, a cólera chegou da Índia. A partir de 1821, forças expedicionárias britânicas transportaram a bactéria responsável pela doença a partir do golfo de Bengala: para sudoeste, para a Indonésia, a China e o Japão; e para oeste, para a região do Iraque. Do Iraque passou para África, a sul, e para o Irão, Síria, Turquia e Rússia, a norte. O transporte marítimo pelo Báltico e pelo Mar do Norte foi responsável pela invasão da Inglaterra e da Irlanda, de onde as vagas de emigrantes levaram o bacilo para a América do Norte e depois para sul, em direção ao México, onde chegou em 1833. No espaço de 10 anos, quando a maioria da navegação ainda era feita à vela e não havia aviões, a epidemia globalizou-se.

Não vale a pena afastarmos o problema dizendo que faltavam nesses tempos a ciência e os meios para travar a pandemia. Na segunda metade do século XIX já se conheciam os mecanismos do contágio, o papel das águas e dos esgotos foi elucidado,........

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