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Ucrânia: que acordo poderá salvá-la?

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24.03.2025

Num artigo publicado anteriormente, falei da reunião ocorrida, na Sala Oval da Casa Branca, no dia 28 de Fevereiro. Para mim, tanto os membros da administração Trump como o próprio Presidente Zelesnky cometeram alguns erros escusados. E já tinha descrito, de forma breve, a minha opinião sobre o acordo que, esperemos nós, será assinado.

É difícil discordar daquilo que Rebeccah Heinrichs, directora da Keystone Defense Initiative do Instituto Hudson, comentou, no início deste mês, no programa “The Lead with Jack Tapper”: o comportamento de Zelensky na reunião do dia 28 de fevereiro foi desrespeitoso para com o presidente e o vice-presidente dos Estados Unidos da América (EUA). No entanto, as suas atitudes posteriores, incluindo o post (no X) que fez no mesmo dia, podem vir a sarar quaisquer feridas eventualmente causadas à relação transatlântica. “Obrigado, América, obrigado pelo vosso apoio, obrigado por esta visita. Obrigado, POTUS, Congresso e povo americano. A Ucrânia precisa de uma paz longa e duradoura, e estamos a trabalhar precisamente para isso”. Foram as palavras escritas pelo presidente ucraniano ainda no dia da “turbulenta” reunião. Zelensky também deve estar mais apaziguado por ter a promessa, por parte da França e de outros países europeus, do envio de forças de manutenção de paz. Tudo isso demonstra que o presidente ucraniano está interessado na paz, algo de que o próprio Trump, por vezes, parece duvidar.

Felizmente, o presidente norte-americano convidou Zelensky a voltar a encontrar-se com ele, com o mesmo propósito da reunião de 28 de fevereiro. E não descartou a hipótese de os EUA ajudarem a Europa a providenciar assistência militar, caso venha a ser necessária. Partilho este optimismo que DrieuGodefridi, filósofo de direito belga, expressou no artigo “Trump: RedrawingtheFutureoftheWorld”, publicado, a 5 de Março de 2025, no website do Instituto Gatestone.

Na perspectiva de Godefridi, depois de descobrir que os países europeus estavam a emprestar e não a doar recursos monetários à Ucrânia, Trump jamais poderia aceitar que os EUA fizessem algo substancialmente diferente. Foi por isso que pediu à Ucrânia que pagasse por aquilo que os EUA tinham dado ao país da Europa de Leste até ao momento. Esse foi o ponto de partida para que o presidente dos EUA propusesse um acordo no qual o país que governa ajudaria na exploração de minerais ucranianos, como o lítio e o titânio, que, por sua vez, contribuiria para o desenvolvimento de infraestruturas ucranianas. Com isso, Trump parece convencido de que essa colaboração económica entre os dois países tornaria as garantias de segurança (adicionais) solicitadas e esperadas por Zelensky desnecessárias.

O acordo estabelece um “fundo de investimento de reconstrução” gerido por dois países. Em primeiro lugar, pela Ucrânia, que contribuirá com 50% de todas as receitas provenientes da monetização de ativos de “minerais, hidrocarbonetos, petróleo, gás natural e outros materiais extraíveis”. Em........

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