Passos Coelho: Salvador ou Ilusão?
Ao longo da História, muitos povos criaram os seus “reis adormecidos”: o Rei Artur que regressará de Avalon, Frederico “Barbarossa” que despertará da gruta para restaurar a grandeza alemã, ou o mito francês em torno de Napoleão Bonaparte. Em Portugal, porém, o caso de D. Sebastião ultrapassou a dimensão lendária para se tornar um traço psicológico coletivo. Enquanto noutras nações estes mitos permaneceram sobretudo no domínio da literatura ou do folclore, entre nós o Sebastianismo transformou-se numa tentação recorrente: a esperança num regresso providencial que resolva o que nos falta coragem para reformar.
Vivemos demasiadas vezes presos ao nevoeiro do passado e à nostalgia de uma grandeza perdida, como se o futuro dependesse de um salvador e não da responsabilidade presente. Essa atitude dificulta o confronto com a realidade, a assunção de escolhas exigentes e o passo em frente que requer menos saudade e mais ação.
Se analisarmos a governação de Pedro Passos Coelho à luz do liberalismo, encontramos um executivo marcado por contrastes profundos. Havia uma clara intenção reformista, mas o país enfrentava uma emergência financeira sob assistência externa. O Programa de Assistência Económica e Financeira........
