A caixa registadora não vota à esquerda
Desde que Zohran Mamdani venceu a Câmara de Nova Iorque, parece ter regressado um entusiasmo inesperado por ideias que a realidade já tratou de testar várias vezes. Como se bastasse mudar o discurso para apagar décadas de experiências falhadas. As correntes iliberais e anticapitalistas voltaram a acreditar que o Estado consegue fazer melhor aquilo que milhões de consumidores escolhem todos os dias no mercado.
Desta vez foi o Livre. No seu último congresso, aprovou uma moção que defende a criação de uma rede de supermercados de tutela estatal e sem fins lucrativos. A proposta assenta em três pilares: vender cabazes de bens essenciais a preços controlados, funcionando como travão à inflação; pressionar a grande distribuição através de um concorrente público; e comprar diretamente a pequenos e médios produtores nacionais, reduzindo intermediários e garantindo margens mais justas. A ideia também não é propriamente original. O Bloco de Esquerda há muito defende soluções semelhantes. O PCP prefere insistir no controlo administrativo de preços, na tributação acrescida dos lucros da distribuição e no reforço de mercados locais sob gestão pública.
A pergunta, porém, continua a ser a mesma. Onde é que isto resultou? A resposta curta e honesta, é simples: praticamente em lado nenhum. Não existem exemplos consistentes de sucesso sustentável de supermercados totalmente públicos ou municipais a competir num........
