A bola sempre esteve do lado da Rússia
A 11 de Março, a Ucrânia concordou, sob pressão americana, com uma proposta preliminar de Trump para um cessar-fogo de 30 dias, como um passo para acabar com a guerra.
Marco Rubio, o responsável pela política externa americana, que na questão ucraniana tem andado a procurar colocar água nas fervuras do Presidente americano, declarou que a bola estava agora do lado russo.
Aparentemente Putin já terá sinalizado que não aceita a bola tal qual ela vem e quer devolvê-la com uns pesos agregados. Concorda com o “desejo” de Trump num cessar-fogo, mas não com o cessar-fogo em si, nos moldes em que está.
É óbvio que a Rússia não tem pressa e irá encanar a perna à rã, atrasando uma eventual resposta objectiva, até porque precisa antes de reganhar o controle completo da região de Kursk, objectivo tornado subitamente possível pela traição da Administração Trump que cegou durante uns dias as principais armas e fontes de informação operacional e táctica da Ucrânia.
E não tem pressa porque acredita, ou sabe, que Trump, para além de ameaças hiperbólicas sobre eventuais sanções económicas, irá tranquilamente abandonar a Ucrânia.
Na imprensa e nas redes sociais russas, a ideia de um cessar-fogo imediato é comentada com desdém, alegando-se que isso iria a conceder tempo à Ucrânia, à Europa e à OTAN, para se rearmarem e reorganizarem. E o que diz a imprensa russa é o que Putin quer que se diga.
Na minha opinião, mesmo que todo esta gesticulação diplomática lograsse um cessar-fogo temporário e até um acordo final, coisa que os russos manifestamente não querem (Trump: Chamberlain ou Conspiração contra a América?), como pode alguém confiar na assinatura russa?
Vladimir Putin violou ostensivamente todos os........
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