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A Revolução Miserável

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Nas manifestações em todo o mundo sobre os mais variados assuntos há um cartaz que aparece recorrentemente e que reza mais ou menos o seguinte: “não acredito que, ao fim destes anos todos, ainda tenho de protestar por causa disto”. Pensei nesta frase recorrentemente ao longo das últimas semanas, altura do ano em que, tão certo como os jacarandás florescem, assistimos todos os anos às declarações de Ventura sobre o 25 de Abril. No entanto, ao contrário dos jacarandás, que pintam as ruas de um lilás vivo e as embelezam, as expressões que Ventura utiliza para se referir ao 25 de Abril costumam ser infelizes. Este ano foram particularmente infelizes: referiu-se à transição democrática portuguesa como uma “revolução miserável”.

O Chega alberga duas correntes políticas que se dividem sobre o 25 de Abril. A primeira, minoritária, é abertamente saudosista do antigo regime e articula uma visão da transição como um momento de ruptura que pôs fim ao modelo político pluricontinental — nas suas várias declinações — que seria uma condição necessária para tornar Portugal num país viável. O Portugal europeu, ancorado na Europa integrada e liberal, seria um país inviável e sem capacidade para ser verdadeiramente independente. A segunda corrente, maioritária e, creio, aquela onde se insere Ventura, percepciona o 25 de Abril, acima de tudo, com desilusão: a transição não criou um país perfeito e, em grande medida, não cumpriu as suas........

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