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Conselho Europeu: Finalmente descemos à terra

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10.03.2025

Em apenas três meses, o ano de 2025 já concentra matéria e factos que dariam para escrever um capítulo nos futuros livros de história, com uma densidade e significado comparáveis a toda a década anterior. A velocidade e a magnitude dos acontecimentos geopolíticos condensam, num brevíssimo período, transformações que, normalmente, exigiriam anos, ou décadas, para se manifestarem. Estamos a assistir, em tempo real, à reconfiguração da arquitetura de segurança europeia e mundial, num ritmo que desafia a nossa capacidade de análise e expõe as fragilidades de um espaço na Europa, mais concretamente a União Europeia (UE), que “delegou” a sua segurança e defesa, nas últimas sete décadas.

O modelo de segurança que sustentou a integração europeia assentava em três pilares fundamentais: hegemonia americana incontestada, expansão normativa europeia e interdependência económica como garantia de estabilidade. Os três ruíram, simultaneamente. Agora, a realidade impõe-se com particular brutalidade: o tempo para declarações políticas e respostas tímidas acabou. O que está em causa não é apenas o equilíbrio de forças no “velho” continente, mas a própria relevância da UE como ator estratégico no século XXI.

A anexação da Crimeia, em 2014, e a subsequente guerra na Ucrânia não foram meras contingências históricas, representaram a falência definitiva da tese de que a interdependência económica garantiria a paz. Paradoxalmente, foi, precisamente, a dependência energética europeia que financiou a potência militar que agora a ameaça. O modelo de segurança europeu revelou-se um exercício de autossabotagem estratégica.

As recentes declarações de........

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