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O TGV ia de Mota, mas foi (APA)nhado na curva

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02.01.2026

No dia 22 de dezembro de 2025, aconteceu o impensável para muitos.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) chumbou o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) da PPP1 Porto-Oiã da Linha de Alta Velocidade Porto-Lisboa, nomeadamente as alterações face ao contrato estipulado com o Estado português referentes à localização da estação de Vila Nova de Gaia, à travessia sobre o Rio Douro e à configuração da estação de Porto-Campanhã.

Para muitos, como é o caso do consórcio LusoLAV/AVAN Norte, vencedor do projeto, o qual é composto pela Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto e que é liderado pela Mota-Engil.

Para muitos, como é o caso do anterior Executivo Municipal de Vila Nova de Gaia, que liderou esta autarquia entre 2013 e 2025 e que à 25.ª hora apadrinhou essas mesmas alterações, mesmo sabendo dos riscos legais, económicos, financeiros e regulatórios.

Para muitos, como é o caso do atual Executivo Municipal de Vila Nova de Gaia, que tomou recentemente posse e que teve como uma das primeiras medidas a criação de um grupo de trabalho para este tema da Alta Velocidade.

Contudo, este acaba por escolher não incluir nenhum elemento das Infraestruturas de Portugal nesse grupo de trabalho e começa a negociar e estabelece conversações com o acima referido consórcio, tomando como dado adquirido a localização da estação de Vila Nova de Gaia em Vilar do Paraíso. Isto, ignorando por completo se esta nova localização seria ou não aprovada pela APA.

Para muitos, como é o caso de inúmeras figuras proeminentes da política local e nacional portuguesa dos vários quadrantes políticos e de múltiplos engenheiros e arquitetos notáveis que, por ação ou omissão, ou entendiam que:

(i) Santo Ovídio ou Vilar do Paraíso, o que importa é Vila Nova de Gaia ter uma estação de Alta Velocidade;
(ii) Santo Ovídio era uma má localização porque, com base em “sensações”, “está saturado” ou;
(iii) Santo Ovídio era uma má localização porque ia ser uma estação subterrânea e, logo, teria problemas de segurança (ao contrário de qualquer estação de metropolitano em qualquer país do mundo).

No entanto, a APA escolheu ser o adulto na sala e deitar por terra alterações que, ao trocar (i) uma única Ponte Rodoferroviária por duas pontes, (ii) a localização de Santo Ovídio por Vilar do Paraíso e (iii) 10 quilómetros de túnel por apenas 5 quilómetros de traçado subterrâneo:

Troca uma estação no miolo urbano com mais densidade habitacional, de comércio e de serviços de Vila Nova de Gaia, permitindo o........

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