Vencidos, Derrotados e Arrependidos
Preludium
Consumada a primeira volta das Eleições Presidenciais de 2026, a exegese política tem-se multiplicado em torno das causas – e, de algum modo, das consequências – dos resultados obtidos por cada um dos seus principais protagonistas.
Nesse contexto, parece-nos pertinente procurar desvendar a anatomia profunda do mais recente sufrágio, antes que a espuma dos dias e o ruído conjuntural obscureçam a realidade dos factos.
Desde logo, haverá que salientá-lo sem hesitações: os dois candidatos mais votados na primeira volta, António José Seguro e André Ventura, emergem deste escrutínio com uma legitimidade democrática particularmente assinalável.
Para o efeito, basta constatar que a soma das suas votações alcança o expressivo valor de 54,63% do eleitorado. Mais, ao contrário do que sugeriram certas vozes mais desatentas, em momento algum da noite eleitoral se vislumbrou um desfecho distinto.
É, pois, chegado o momento de dissecar a trilogia de participantes – diretos e indiretos – nestas eleições, recorrendo a uma classificação que nos parece ajustada ao critério da validação, ou rejeição, do respetivo projeto político: os vencidos, os derrotados e, não menos importante, os arrependidos.
Os Vencidos
No grupo dos vencidos situam-se, com particular nitidez, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo.
No caso de Cotrim de Figueiredo, e não obstante alguma disrupção oferecida pela respetiva campanha, a sua candidatura permaneceu confinada a uma base essencialmente jovem e urbana, que oscila entre a social-democracia e o liberalismo económico e social, que se revelou insuficiente para........
