Um percurso para a recuperação dum filho alienado
Esta é história do João (nome fictício), uma criança alienada pelo pai que esteve, durante quatro anos, sem a possibilidade de viver, em liberdade, os afetos com a sua mãe de afetos. A inversão desta situação só se tornou possível, na sequência de uma decisão judicial que determinou o restabelecimento imediato dos convívios do João com a mãe alienada, que foi acompanhada pela determinação da realização de uma intervenção no acompanhamento diário da reconstrução da parentalidade desta mãe com o seu filho, com apoio de profissionais especializados, em contexto natural (em casa, na escola, no jardim….), nos locais onde existem os convívios entre a mãe e o João.
Inicialmente, o João estava “programado” pelo pai para odiar, rejeitar, e agredir a sua mãe. O pai utilizava estratégias de apagamento da figura da mãe, denegrindo a imagem da mãe, incutindo no João a ideia de que a sua seria mãe incapaz de tomar conta dele, que sempre tinha sido uma mãe ausente que os abandonou e que era perigosa. Imagens fabricadas pelo pai para criar falsas memórias baseadas em detalhes de más experiências e sentimentos negativos, que nunca existiram e que não davam espaço para o João poder amar esta mãe.
As falsas verdades construídas pelo pai alienador passaram a ser as verdadeiras verdades para o João, que, acreditando nas assertivas mentiras contadas pelo pai, viveu, muitas vezes, uma falsa existência gerada pela repetição sistemática das falsas memórias, influenciando assim a perceção negativa que o João tinha da sua mãe. O João, sem ser capaz de discernir as manipulações que sofria, desenvolveu afetos negativos pela mãe alienada, convencido de que se deveria manter afastado dela, como era desejo do seu pai alienador.
Foi preciso dar ao João a oportunidade para construir a sua versão da mãe, formular os seus próprios juízos e perceções, a partir de seus próprios referenciais, das suas próprias vivências, para contrariar a falsa interpretação........
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