Revanche Woke: Brasil exporta ideologia, Portugal paga
Há uma ironia histórica a desenrolar-se no Atlântico. Durante séculos, Portugal exportou a norma culta, a gramática e a estrutura civilizacional para o Brasil. Hoje, o fluxo inverteu-se. Mas o Brasil não está a devolver Machado de Assis ou Villa-Lobos. O que as universidades e os influenciadores brasileiros estão a exportar para Lisboa é uma mercadoria avariada: a “Linguagem Neutra” e a obsessão identitária.
Como professor universitário no Brasil, assisto há anos à degradação do ambiente académico, sequestrado por uma minoria ruidosa que decidiu que a gramática é uma ferramenta de opressão patriarcal. O que para um português comum pode parecer apenas uma “moda ridícula” da Internet — o uso do “e” neutro, o “todes”, o “elu” —, para nós, que estamos na trincheira, é um projeto de engenharia social avançado.
Sei do que falo dos dois lados do Atlântico. Em dezembro de 2011, mudei-me para Portugal para iniciar o doutoramento em Contabilidade na Universidade do Minho e na Universidade de Aveiro — um programa de dupla titulação. Vivi em Braga, que já na altura acolhia uma comunidade brasileira significativa — hoje é o concelho português com maior concentração de brasileiros, ao ponto de ser apelidado “Braguil”.
E, no entanto, quando cheguei, este vocabulário........
