O futuro não tem garagem para todos
Um trabalhador da periferia sai de casa às sete da manhã. Vive num apartamento sem garagem. Conduz um diesel de 2010: pago, funcional, fiável. Trabalha no centro da cidade. Nos próximos anos, esse carro deixará de poder entrar onde ele precisa de estar. Não por estar avariado. Não por ser inseguro. Mas por ter deixado de ser aceite.
Durante décadas, a política climática foi apresentada como uma escolha entre presente e futuro, entre conforto imediato e responsabilidade coletiva. Era um debate abstrato. Deixou de o ser. Hoje, a transição energética tornou-se uma questão muito mais simples e muito mais concreta: quem pode adaptar-se e quem não pode.
A decisão europeia de terminar, na prática, a venda de carros a combustão em 2035 é frequentemente apresentada como inevitável. Mas essa inevitabilidade ignora um ponto essencial: nem todos partem do mesmo lugar. Um carro elétrico não é apenas um carro diferente. É uma infraestrutura.
Para quem vive numa moradia, com garagem e possibilidade de instalar um........
