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Incêndios Florestais, Neutralidade Carbónica e Deslocalizaçã

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14.08.2026

A crise dos incêndios florestais na Europa veio expor o fracasso de uma retórica de despesa pública que não encontra correspondência numa gestão eficaz do território e das florestas. Em 2023, os governos da União Europeia gastaram 40,6 mil milhões de euros em serviços de protecção contra incêndios. Em 2022, essa despesa tinha ascendido a 37,4 mil milhões de euros.

O Tribunal de Contas Europeu concluiu que a fiscalização da despesa era incompleta, que o acompanhamento dos resultados era deficiente e que não existiam garantias de que o financiamento fosse canalizado para as medidas de maior impacto. Entretanto, a área média anual ardida na UE aumentou para 527 mil hectares entre 2021 e 2024, quase o dobro dos 268 mil hectares registados entre 2006 e 2010. Por outras palavras, gastar mais não se traduziu em melhores resultados.

Os próprios documentos da Comissão Europeia reconhecem que uma gestão florestal sustentável, o desbaste da vegetação, a abertura de faixas corta-fogo e caminhos de acesso, a criação de zonas-tampão, o pastoreio misto e o fogo controlado são instrumentos essenciais para reduzir o risco de incêndio. O agravamento dos incêndios florestais não pode, por isso, ser explicado apenas pelas alterações climáticas: é também reflexo de falhas na gestão do território, na concepção das políticas de prevenção e, sobretudo, na sua execução.

Este é apenas mais um exemplo de como um Estado maior não significa necessariamente melhores serviços. A União Europeia gasta mais e obtém piores resultados. E o que dizem os governos? Naturalmente, que precisam de mais receitas.

O objectivo de emissões líquidas zero, o chamado net zero, está a revelar-se um fracasso onde quer que seja aplicado. Entre 1996 e 2024, a Europa, o Reino Unido e o Canadá reduziram as emissões de CO₂ e de gases com efeito de estufa. Contudo, grande parte dessa redução resultou da estagnação económica e da desindustrialização, do aumento dos custos internos da energia e de uma dependência crescente das importações de bens manufaturados provenientes de economias mais intensivas em carbono, como a Rússia, a China e a Índia. A edição de 2025 da base de dados EDGAR, que disponibiliza séries históricas por país e por sector entre 1970 e 2024, mostra que as emissões globais de gases com efeito de estufa atingiram 53,2 Gt de CO₂ equivalente em 2024, mais 1,3% do que em 2023, apesar de muitas economias avançadas continuarem a registar reduções das suas emissões internas.

A questão central não é saber se as emissões diminuíram na Europa, no Reino Unido e no Canadá. Diminuíram. A verdadeira questão é saber se quase duas décadas de políticas climáticas assentes na tributação, de imposições associadas ao net zero e de mecanismos de fixação do preço do CO₂ conseguiram assegurar uma descarbonização duradoura sem, em contrapartida, esvaziar a base industrial dessas economias. Os dados mostram que grande parte do aparente sucesso resultou do enfraquecimento da produção industrial interna e da........

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