A épica história da nossa banalidade
É um pensamento recorrente. Volta, não volta, ali fico especado diante do faraónico arquivo que cada um de nós tem hoje da respectiva vida: textos, áudios, filmes, fotografias. Em 2026, o mais anónimo habitante do planeta tem a sua voz e imagem registadas em mais horas de vídeos e sons, a forma como ri, chora ou se move, o que pensa, aonde foi, os seus feitos e conseguimentos, do que qualquer figura histórica até, pelo menos, os anos 80 do século passado. O Zé Paulo está muito mais documentado do que Napoleão. A Soraia Marisa tem mais retratos do que a princesa Diana. Há mais testemunhos registados das aventuras do Toni no skate e no desafio do Paracetamol do que de Marco Polo, Vasco da Gama ou James Cook. A Natália Cristina, que nos fala de Vila Pouca, já publicou mais poemas e pensamentos em vida do que Kafka ou Rilke.
No futuro, será cada vez mais fácil fazer documentários sobre a vida das grandes figuras e mais difícil distingui-las das absolutamente banais. Até porque se dá o caso, como certamente já notou, de que quanto mais se revela, mais vulgar se torna, porque se sai da esfera do que nos diferencia para entrar na grande massa do que nos torna todos iguais. A nossa biografia,........
