Kiala, ou a discriminação “inclusiva”
Vai uma aposta em como a vossa cultura geral está de rastos? Sabiam que desde 2022 há uma editora chamada Vírgula d’Interrogação? Sabiam que a Vírgula d’Interrogação tem procurado a “disrupção com a norma estabelecida” desde a sua fundação? Sabiam que já publicou autores de comunidades marginalizadas do calibre de, por exemplo, Miss Major (“Miss Major Fala: Conversas com uma Revolucionária Trans Negra”)? Sabiam que agora a editora tem uma “chancela”, a Kiala, que só lançará livros de pessoas negras? Hã?
Não é gralha. Não é sequer uma maneira abrutalhada de dizer que a tal Kiala se especializará em temas africanos ou alusivos aos descendentes de africanos que vivem por cá. Não, senhor. O título do artigo da “Time Out Lisboa” em que aprendi tudo isto é, sem trocadilho, claro: “Na portuguesa Kiala, só se publicam livros de pessoas negras”. E Elga Fontes, que vai coordenar o projecto conforme tem coordenado o Clube de Leitura Antirracista (que visa “descolonizar as nossas leituras”), confirma. Confirma e reforça, dado que, segundo a senhora dona Elga, a Kiala prefere trabalhar com profissionais negros em todas as etapas do processo editorial, da tradução e revisão ao........
