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O corpo não esquece aquilo que a mente tentou esconder

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17.07.2026

Você já sentiu medo de algo sem conseguir explicar exatamente o motivo? Nesta semana atendi duas mulheres jovens. Inteligentes, bonitas, bem-sucedidas em muitos aspectos da vida. Mulheres que qualquer pessoa olharia de fora e diria: "Ela tem tudo para ser feliz". Mas havia algo em comum entre elas. As duas carregavam uma profunda dificuldade de sentir prazer. Não apenas prazer sexual, mas prazer de existir.

As duas tinham histórico de abuso sexual.

E isso me fez pensar em algo que observo há anos dentro do consultório: o corpo nunca esquece aquilo que a mente tentou sobreviver escondendo.

Quando uma criança sofre uma invasão dos seus limites, especialmente através de um abuso, o corpo aprende uma lição muito perigosa: intimidade não é segura. Vulnerabilidade não é segura. Prazer não é seguro.

Mais tarde, na vida adulta, essa mesma pessoa pode desejar profundamente viver um relacionamento saudável, sentir tesão, entregar-se ao amor ou simplesmente gostar do próprio corpo. Mas existe uma parte dela que continua em estado de alerta. É como se o sistema nervoso permanecesse vigiando uma ameaça que já passou.

O terapeuta corporal Stanley Keleman dizia que nossa história emocional se organiza no próprio tecido do corpo. Wilhelm Reich chamou essas adaptações de couraças emocionais, estruturas que surgem para nos proteger da dor, mas que muitas vezes acabam nos afastando da vitalidade.

Por isso não é raro encontrar mulheres que escondem o corpo atrás de roupas largas, que........

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