Menopausa: quando o desejo muda de forma
Estava conversando com uma amiga muito querida, a Dra. Naila Neves, pesquisadora na área da sexualidade. Ela já estudou fora do país, fez mestrado, doutorado e hoje dedica grande parte do seu trabalho a ajudar mulheres que atravessam a menopausa. Em determinado momento da nossa conversa ela disse algo que me chamou muito a atenção: ainda existe muita gente que acredita que a mulher, depois da menopausa, perde o desejo e o prazer.
Pasmem, mas esse ainda é um mito bastante presente.
Durante muito tempo, a menopausa foi narrada quase como um encerramento. O fim da fertilidade, da juventude e, injustamente, da sexualidade. Como se o corpo feminino, ao parar de menstruar, estivesse também se despedindo do prazer. Mas a biologia e os estudos mais recentes mostram outra realidade.
A menopausa é definida após doze meses consecutivos sem menstruação, mas o processo começa antes, na chamada perimenopausa, quando os hormônios passam a oscilar. E o estrogênio não atua apenas no sistema reprodutivo. Ele influencia o cérebro, o sono, o humor, a memória, a regulação da temperatura do corpo e também a resposta sexual. Por isso muitas mulheres passam a sentir ondas de calor, alterações de humor, noites mal dormidas ou aquela sensação de névoa mental. O corpo não está falhando. Ele está se reorganizando.
E quando o sono piora, quando o cansaço aparece e o humor oscila, é natural que o desejo também mude. A libido não é uma chama isolada. Ela depende de energia, de segurança emocional e de bem-estar.
Um ponto interessante que tem sido observado em estudos sobre sexualidade feminina é que, nessa fase da vida, o desejo pode deixar de ser espontâneo e passar a ser responsivo. Ou seja, ele não surge “do nada”, mas pode aparecer quando existe estímulo, toque, conexão ou intimidade. Isso não significa ausência de desejo. Significa uma nova forma de ativação do corpo.
Outra descoberta importante é o papel do prazer no próprio equilíbrio fisiológico. Durante experiências de prazer e orgasmo, o corpo libera substâncias como ocitocina, endorfinas e serotonina, que estão diretamente relacionadas ao relaxamento, ao bem-estar e à regulação emocional. Essas substâncias ajudam inclusive a reduzir sintomas como irritabilidade, dificuldade para dormir e sensação de cansaço.
Em outras palavras: prazer também é saúde.
Mesmo assim, muitas mulheres chegam à menopausa sem nunca ter tido uma conversa aberta sobre sexualidade. Falamos com naturalidade sobre hormônios, exames e tratamentos, mas
quando o assunto é prazer feminino na meia-idade, o consultório muitas vezes fica em silêncio.
E talvez seja justamente esse silêncio que precisamos quebrar.
A menopausa não precisa ser vista como um declínio. Para muitas mulheres ela representa uma nova relação com o próprio corpo. Sem o medo da gravidez, com mais autoconhecimento e, muitas vezes, com mais liberdade para descobrir outras formas de prazer.
Se pensarmos bem, estamos falando de uma fase que pode representar quase metade da vida adulta de uma mulher. Não faz sentido tratá-la como uma longa despedida da sexualidade.
Talvez o desejo não tenha desaparecido. Talvez ele esteja apenas pedindo mais presença, mais escuta e uma nova forma de se manifestar.
Se você quiser acompanhar mais conteúdos sobre sexualidade, prazer e saúde do corpo, pode me encontrar na nova conta do Instagram @tami_terapeuta.
E para conhecer mais sobre o trabalho e as pesquisas da Dra. Naila Neves sobre menopausa e sexualidade feminina, vale também seguir @dranailaneves.
E deixo aqui uma pergunta para você refletir: será que o desejo realmente desaparece com o tempo… ou ele apenas aprende novas formas de existir dentro do corpo?
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