Quando a esposa experimenta roupas para sair
Minha esposa se arrumava e perguntava o que eu achava: eu dizia que estava ótima.
Parecia não acreditar em mim, pois, depois de alguns minutos, ela retornava com um novo figurino e reiterava o questionamento: eu dizia que estava maravilhosa.
Ela fingia não escutar. Tirava as vestes sem compaixão e reiniciava o processo.
Eu não mentia, não queria apressá-la, não me interessava somente em sair. Vinha me mostrando absolutamente sincero. Mas minha opinião não servia para nada. Eu me percebia inútil. Só era usado como um espelho. E espelhos não falam.
Poderia responder detalhadamente: “adorei os sapatos!”.
Poderia responder com ênfase: “fazia tempo que não colocava esse vestido!”.
Entrávamos num jogo de amnésia da memória recente.
Ela não cultivava culpa, ou remorso, ou mesmo empatia........
