Sou mãe, mas não deixei de ser mulher
Quando foi que você deixou de ser mulher? Essa não é uma pergunta confortável. Ela atravessa, cutuca, expõe. Mas talvez seja uma das mais necessárias na semana em que se celebra o Dia das Mães.
Existe uma narrativa quase silenciosa, socialmente aceita, de que ao se tornar mãe, a mulher naturalmente se desloca de si. Como se fosse esperado que ela abrisse mão de partes inteiras da sua identidade, inclusive da sua sexualidade, em nome do cuidado, da entrega, da construção de uma nova vida.
E, de fato, muita coisa muda. O corpo muda, o tempo muda, o cansaço se instala de um jeito que não existia antes. A prioridade deixa de ser você. E, aos poucos, quase sem perceber, o espelho começa a refletir alguém que você ainda está tentando reconhecer. Mas o ponto mais delicado não está na mudança em si, está no momento em que a mulher começa a se abandonar dentro dessa nova versão sendo: MÃE.
Quando ela deixa de se tocar, não só fisicamente, mas emocionalmente, quando o desejo deixa de ser acessado, quando o prazer deixa de ser permitido, quando o corpo, que........
