Os gestores públicos que acabaram com a Excelência do Hospital Vila Franca de Xira
Não podemos sacrificar na cruz um gestor por ele ser incompetente e não saber. Mesmo que seja um gestor incompetente, e tenha a noção da sua incompetência, ninguém o obriga a dar a mão à palmatória se quem o escolheu e nomeou gestor não o convidar a abandonar o cargo. O MIRANTE acompanhou de perto a gestão do Hospital Vila Franca de Xira desde a sua inauguração, e na altura própria, quando o hospital foi considerado um exemplo, premiámos os seus gestores e reconhecemos o seu trabalho. Quando a Parceria Público Privada acabou, e a gestão passou para o Estado, não deixámos de continuar a fazer o trabalho de escrutínio do hospital dando voz a quem sofreu na pele a incompetência dos gestores públicos que foram substituir os privados. Não é altura para recordar as infelicidades de quem teve o azar de cair nas malhas dessa gestão incompetente do Hospital Vila Franca de Xira, mas também não seria justo que calássemos as críticas, que não recordássemos o nosso trabalho editorial, agora que o hospital passa por uma situação que ninguém previa, que é o fim de serviços hospitalares essenciais para um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde (ver página 16 desta edição).Neste meio tempo, entre a saída do anterior gestor público e a entrada de um outro, soubemos, quase em segredo, e o quase não é apenas uma figura de estilo, como a gestão do Hospital VFX bateu no fundo, dando origem às tragédias que aqui contámos ao longo destes últimos anos, e a muitas outras que terão acontecido e ficaram entre quatro paredes. Por mais que se exija de um jornal que conte as verdades, e desmascare as incompetências, há linhas que não se podem ultrapassar, ou corremos o risco de ficarmos presos nas armadilhas que nós próprios quisemos desmontar.Se o Governo não acudir ao Hospital Vila Franca de Xira, que haja alguém que dê o rosto pelo falhanço da sua gestão depois do hospital ter sido considerado durante vários anos um exemplo nas práticas dos seus profissionais, como aconteceu em 2018 quando recebeu o prémio mundial pela redução do consumo de antibióticos, e no início de 2020 quando foi classificado como “o Hospital mais bem gerido do país”, avaliado por um conjunto de mais de cem instituições, como o único hospital público que obteve a classificação máxima de Excelência Clínica (três estrelas) em seis áreas clínicas, nomeadamente, Cirurgia de Ambulatório; Unidade de Cuidados Intensivos; Cuidados Transversais (Avaliação da Dor Aguda); Neurologia (Acidente Vascular Cerebral); Obstetrícia (Partos e Cuidados Neonatais) e Pediatria (Cuidados Neonatais).Estamos a escrever só uma pequena parte da história de sucesso que foi o Hospital Vila Franca de Xira até ao dia 1 de Junho de 2021, quando a instituição passou oficialmente para a esfera da gestão pública, adoptando o modelo de Entidade Pública Empresarial, terminando a parceria com o grupo José de Mello Saúde.Não sabemos se estas palavras fazem doer a alguém que está do nosso lado, e que lamenta tanto como nós a gestão incompetente dos gestores públicos; se estamos a acender uma fogueira que pode ser considerada pelos mais puristas como uma forma de combustível da antiga inquisição; é muito provável que sim, não é fácil lidar com as derrotas dos gestores do Estado, que conquistámos com o 25 de Abril de 1974, e ainda menos com a liberdade que temos de escrever aquilo que nos vai na alma e não é só o que agora está à vista de todos: O Hospital Vila Franca de Xira esteve entregue nos últimos quatro anos a quem não o soube gerir, e quem paga as favas somos todos nós que precisamos do Serviço Nacional de Saúde como de pão para a boca. JAE.
