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A sustentável beleza de ser povoense

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25.05.2026

Há terras que tratam as árvores como mobília da sala de jantar da avó: é para olhar, não é para mexer. A Póvoa trata-as como vizinhas, daquelas que oferecem fruta por cima do muro.

Nos espaços públicos da Póvoa encontramos, com surpreendente facilidade, nespereiras, figueiras e romanzeiras. Há figueiras que estendem os braços para fora das grades da Quintinha como quem cumprimenta oferecendo um fruto, nespereiras pelos caminhos mais diversos, romanzeiras de flores cor de laranja exuberante, um abacateiro gigante do outro lado da Rua da Arte do Pão, um limoeiro em plena via pública. E há ainda o projeto da escola primária número 1, em que as crianças plantaram várias árvores de fruto há quatro ou cinco anos: a maioria resistiu ao calor que nos abrasa, incluindo uma ginjeira.

Eu confesso: sempre achei que era exatamente isto que os espaços públicos deviam ter. Árvores bonitas, resistentes e generosas. Árvores que dão sombra, flor e fruto e que, se for preciso, também dão o lanche.

Durante demasiado tempo, habituámo-nos a uma ideia puramente decorativa da natureza urbana, com plantas para enfeitar, não para alimentar. Laranjeiras, sim, mas daquelas de laranja muito amarga, para ficarem bonitas na árvore e ninguém lhes tocar. Uma abundância de fachada, bonita e fotogénica,........

© O Mirante