O adepto, esse milagre logístico
Houve um tempo em que o adepto era parte essencial do futebol. Hoje continua a ser essencial, só que isso só se nota quando falha. É uma essencialidade discreta, quase tímida, daquelas que só se nota quando falha. Enquanto está lá, funciona como o Wi-Fi: assume-se que existe e reclama-se apenas quando desaparece. O adepto moderno paga bilhete, compra camisola oficial (com ou sem nome próprio, conforme a autoestima), assina canais premium, aceita horários impraticáveis e ainda agradece por poder entrar no estádio com uma garrafa de água sem tampa - uma conquista civilizacional que merece ser celebrada em silêncio. Tudo isto para, durante 90 minutos, ser tratado como um elemento decorativo com função sonora limitada: pode aplaudir, pode suspirar, pode indignar-se, mas com........
