Cartão amarelo ao árbitro
Na vida, e também no futebol, ainda conseguimos ser surpreendidos com situações inusitadas, momentos que, de tão insólitos, nos confrontam com a lógica que nos configura o raciocínio.Assim aconteceu no último jogo entre o Alverca e o Sporting. Ao minuto 48, o jogador do Sporting, Luis Suárez, cai na área adversária ao saltar por cima do guarda-redes do Alverca que tinha saído da baliza para interceptar o lance. O árbitro assinala penálti e o jogador do Sporting dá indicação, ao próprio árbitro, que não tinha existido falta.
Apesar do acto digno, do jogador, o árbitro mostrou-lhe o cartão amarelo por suposta simulação de falta. Não há enquadramento legal ou lógico que justifique esta decisão. A sanção por simulação está prevista na regra 12 dos regulamentos de jogo para 2025/26 da IFAB, identificando de forma clara que para este tipo de sanção tem de se verificar a simulação.
Como pode existir simulação quando o próprio jogador informa o árbitro que não sofreu qualquer falta? É verdadeiramente uma contradição em termos. Simulação significa um acto doloso, ter vontade de enganar com o propósito de com isso tirar proveito.
O cartão, em si mesmo, será pouco relevante, mas estragou um acto nobre que homenageia o futebol. Provocou a inversão de valores, ao invés de prémio e louvor, a verdade e a sinceridade foram objecto de castigo.O acto de Luis Suárez representa o futebol no seu melhor propósito, onde as regras existem para servir a justiça do jogo e através dela a essência do próprio futebol.
Os adeptos do futebol que enchem os estádios, que vibram e vivem a intensidade de cada minuto de jogo, querem que ganhe o melhor, não o mais manhoso. Bem sabemos que, no calor do momento, o adepto clubístico quer que o seu clube vença seja de que forma for. Mas isso é a paixão a sobrepor-se à razão. Também faz parte da magia do Futebol.
Mas o árbitro tem de ser 100% razão e bom senso, foi o que faltou na decisão de mostrar o cartão amarelo a Luis Suárez.
