Os que ficam para trás
Basta pisar a pisar a relva dum estádio ou as tábuas dum palco para se sentir a dimensão sagrada do lugar. Por muito que se treine e ensaie, o medo de falhar está omnipresente, daí as preces aos deuses privativos, as benzeduras, os rituais de apaziguamento. Interessam-me as histórias dos que padecem desse medo cénico e não aguentam a pressão. Interessa-me a fronteira caprichosa entre a sorte e o azar, a encruzilhada dos que tinham tudo para seguir em frente e não seguiram, dos que deram o primeiro milho ao pardal da fama e acabaram num planeta secundário quando pareciam ter o sol e a lua à mercê.
