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As eleições angolanas de 2027: efeito no sistema partidário e no mercado eleitoral

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04.03.2026

As eleições de 2027 estão a reconfigurar-se como típicas eleições de reestruturação do sistema partidário angolano, deixando de ser eleições de alternância de poder, como foram as eleições de 2022. Antevemos, desde já, a entrada de novos partidos e a saída de outros no parlamento, tendo, possivelmente, um impacto no peso representativo dos actuais partidos.

Esta nossa leitura sobre as eleições de 2027 resulta do entendimento acerca dos efeitos do (i) elevado número de partidos; (ii) da tensão  entre os partidos na oposição, com a instalação de um clima de “guerra” nas redes sociais e nas declarações dos dirigentes dos diferentes partidos; (iii) da ausência de uma dinâmica de mudança política, com vários discursos sobre a forma de enfrentar o MPLA; e (iv) da descrença na capacidade política da oposição de promover uma mudança política, através de uma ruptura política fora do quadro institucional, depois das eleições de 2022.

Ou seja, alguns activistas e analistas não acreditam na possibilidade de existir uma mudança política em Angola, por intermédio das eleições. Considerando, assim, que os partidos que participam nas eleições estão a participar numa farsa eleitoral e a legitimar, desta forma, o regime angolano.

Situação da oposição angolana: elevado número de partidos e a febre partidária

Os partidos da oposição enfrentam vários obstáculos na realidade angolana para realizarem o seu papel de oposição ao governo, como o acesso à imprensa pública, aos tribunais, aos recursos públicos e, sofrem, ainda, o bloqueio no parlamento, onde a maioria parlamentar serve para escudar o partido no poder. Esta realidade devia motivar a oposição a coordenar as suas acções e a estabelecer uma agenda mínima comum, mas, estes partidos não conseguem actuar em conjunto, em razão da desconfiança entre os partidos da oposição.

Esta desconfiança política está a ser........

© Jornal Económico