Inteligência artificial exige um novo contrato social
O contrato social que sustenta as economias desenvolvidas foi construído, em grande medida, sobre uma premissa simples: o trabalho constitui a principal fonte de rendimento das famílias, permite financiar a proteção social e oferece uma perspetiva de mobilidade económica. Em contrapartida, o Estado assegura educação, saúde, segurança social e mecanismos de redistribuição que procuram transformar crescimento económico em progresso coletivo.
Este equilíbrio, consolidado ao longo do século XX, pressupõe uma relação relativamente estável entre emprego, salários, produtividade e financiamento do Estado social. Mas o que acontece quando uma nova tecnologia permite aumentar significativamente a produção e a riqueza sem exigir um crescimento equivalente do emprego? Claramente esta relação entre cidadãos e sociedade fica em risco.
É precisamente esta a questão colocada pela inteligência artificial. Segundo um estudo de 2024 do FMI, cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas estão expostos à Inteligência Artificial. No entanto, ter exposição não significa necessariamente destruição de trabalho: em muitas profissões, a tecnologia poderá complementar o trabalho humano, aumentando a produtividade. Noutras, poderá substituir tarefas, reduzir contratações e pressionar salários. E, ao contrário de anteriores vagas de automação, esta transformação abrange também profissões intelectuais e qualificadas. Ou seja, no limite, os seres humanos poderão estar em breve obsoletos, e isto cria sérias dúvidas sobre o que é o futuro da sociedade e da relação que temos com o que chamamos de sistema e instituições – através deste contrato social, que claramente está em risco.
A velocidade da evolução desta tecnologia deixa de facto muitos receios sobre os próximos anos. Será, contudo, um erro interpretar esta revolução exclusivamente como uma ameaça. O progresso tecnológico sempre eliminou determinadas atividades e criou outras. Segundo o Fórum Económico Mundial, num relatório de 2025 sobre o futuro dos empregos, até 2030 a IA e as tecnologias de processamento de informação poderão contribuir para criar cerca........
