A equação coerciva
Nas duas primeiras colunas ficou a tese: o que parece caos é reorganização com método, assente no controlo de rotas e nós críticos da economia. Falta vê-lo em acção. Esse método opera como uma equação em que a força é variável, entre coerção aberta e atracção, sempre orientada para um resultado económico.
Na extremidade mais dura, surge a força consumada. A Venezuela aproxima-se desse limite, ainda que em termos contestados. A pressão máxima sobre o regime, combinando sanções, isolamento financeiro e sinais de intervenção, abriu caminho a uma reconfiguração política que permite reintroduzir o petróleo venezuelano em circuitos favoráveis a Washington. A mudança de regime não é o fim; é o instrumento para reordenar fluxos energéticos.
Um grau abaixo, a coerção territorial sustentada pela ameaça, e aqui a actualidade encarregou-se de fornecer a demonstração. Na cimeira da NATO em Ancara, esta semana, Trump repetiu que a Gronelândia deve ser controlada pelos Estados Unidos e não pela Dinamarca, e ligou explicitamente essa exigência à possibilidade de retirar tropas americanas da Europa. O gesto funde, num só movimento, dois instrumentos que pareciam distintos: a pressão territorial sobre a ilha e a subtracção da garantia de segurança aos aliados tornam-se a mesma alavanca. E quando o Secretário-Geral da NATO lhe apresentou o gráfico do bilião e duzentos........
