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A apólice que falhou duas vezes

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24.09.2026

Há apólices que só se descobrem inúteis no dia em que são precisas. A Arábia Saudita descobriu a sua na sexta-feira, 11 de Setembro, e descobriu-a duas vezes em menos de quarenta e oito horas.

Durante décadas, Riade construiu a sua cobertura contra Ormuz: o oleoduto Este-Oeste, que atravessa o reino desde os campos orientais até ao terminal de Yanbu, no mar Vermelho, para o dia em que o Golfo fechasse. Construído na guerra Irão-Iraque dos anos oitenta, convertido depois a gás e reconvertido a petróleo em 2012, era a apólice comprada numa guerra do Golfo para o caso de haver outra. E a outra chegou: desde a guerra de Fevereiro, Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial, está perturbado, e foi isso que empurrou as exportações sauditas para o mar Vermelho. Só que o petróleo que sai por Yanbu tem de passar por Bab-el-Mandeb, o estreito entre a Península Arábica e o Corno de África. Contornar um estrangulamento para desembocar noutro não é diversificar, é mudar de credor.

Na véspera, drones lançados do Iraque tinham atingido uma estação de bombagem do Este-Oeste, e nessa sexta-feira o ministério da energia saudita confirmou o encerramento do oleoduto, com Riade a anunciar que não retaliaria por agora, a pedido do primeiro-ministro iraquiano. No mesmo dia, do outro lado da península, os huthis chegaram à ilha de Perim, que parte o Bab-el-Mandeb em dois canais, depois de tomarem o porto de Mocha na véspera e de as forças do governo iemenita se retirarem de Dhubab, na costa em frente. A cobertura e a saída da cobertura falharam na mesma janela de dois dias, o que raramente é coincidência.

O desenho é iraniano e é inteligente. Incapaz de manter dentro do Golfo pressão naval suficiente sobre Riade, Teerão abriu uma frente terrestre onde tinha aliados e terreno. E há uma ironia na origem: foi o próprio reino que reacendeu esta guerra, em Julho, ao impedir, directamente ou........

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