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A última trincheira

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22.01.2026

Dificilmente o contraste entre os dois candidatos que passaram à segunda volta das eleições presidenciais poderia ser maior. E, em certo sentido, embora seja pouco provável que seja eleito a 8 de Fevereiro (pelo menos se as taxas de rejeição a cada candidato apuradas na campanha para a primeira volta forem um indicador minimamente fiável), Ventura já terá ganho o que queria ganhar.

Uma comparação entre os resultados de Ventura nesta primeira volta e os do Chega nas eleições autárquicas reforça a perceção de que este último é, ainda, um partido mais ou menos unipessoal vivendo à boleia de um líder carismático. E, nesse caso, parece certo que aquilo que o líder procura é poder executivo. A esse respeito, e sendo claro que a via mais evidente para o obter seria sendo eleito primeiro-ministro ou integrando um executivo em coligação, um eventual sucesso nesta segunda volta corresponderia, com a maior das probabilidades, a uma tentativa de presidencialização do regime: os cenários de uma revisão constitucional feita exclusivamente à direita ganhariam força; especular-se-ia constantemente sobre a possibilidade de o executivo atual não cumprir a legislatura; e a ideia de uma “quarta república” consolidar-se-ia.

Pelo caminho, tudo serve a Ventura para tentar ganhar capital simbólico, mobilizar as bases, aumentar a sua influência e tentar impor a sua agenda. Passar à segunda volta das eleições presidenciais, beneficiando da batalha fratricida entre Gouveia e Melo e Marques Mendes e das ondas de choque do escândalo de alegado assédio que pesaram sobre Cotrim de........

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