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A liberdade de abandonar à exploração

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19.02.2026

Buenos Aires, madrugada de 12 fevereiro de 2026. Por entre a convulsão social, o governo de Javier Milei inaugura mais um capítulo na história de experimentalismo económico-social que a Argentina contemporânea protagoniza.

Lembremos: o Senado argentino aprovou, após 14 horas de debate, a chamada “lei de modernização laboral”, enfrentando a oposição de sindicatos, uma enorme manifestação, e a acusação de “esclavagismo”.

O contexto é o de um reforço da base de apoio de Milei, após uma forte vitória nas eleições legislativas intercalares de Outubro passado, marcadas pelo declarado apoio de Trump a Milei e o resgate financeiro dos EUA à Argentina.

No momento em que escrevo estas linhas, a aprovação final e transformação do projeto em lei ainda não teve lugar. Sob pressão dos aliados, o governo deixará cair o artigo 44, que limitava fortemente as baixas médicas (propondo baixar até 50% o salário dos trabalhadores que estejam de baixa por acidente ou doença), para que sejam aprovadas as emendas ao projeto de lei na câmara dos deputados e ele volte ao Senado para o que se espera ser uma aprovação final no próximo dia 27 – a tempo do tradicional discurso presidencial de abertura das sessões a 1 de março.

Um anarco-…esclavagismo?

Vale a pena determo-nos um pouco no caso argentino e no que ele representa aos dias de hoje. Comecemos por esta proposta de reforma........

© Jornal Económico